O Cotidiano é inevitável e autoritário. Impõe sua presença através de surpresas esporádicas e rotinas diárias. Nos lambuza com expectativas doces e amedronta com o amargor do tédio. Pode ser torturante ou prazeiroso, dinâmico ou monótono. Detestamos suas regularidades, mas sem elas não haveria o tempo das aventuras. Sua natureza complexa se camufla no simples, corriqueiro e banal. Mas nem por isso menos inspirador. O dia-a-dia é o melhor amigo do homem. Guarda nossos segredos e lembranças, compartilha os bons e maus momentos e permanece fiel ao futuro. Na impossibilidade de fugir ou livrar-se dele, os artistas se entregam, desvendando suas nuances sutis e escancaradas.
Sou fascinada pelo altruísmo do Diariamente. Temos em nossas mãos uma fonte natural e renovável, que troca suas riquezas pela nossa sensibilidade de percepção. A necessidade de enclausurar-se em realidades paralelas, me parece uma tentativa de fugir do cotidiano. Valorizo quem descreve com primor, esse oceano inesgotável de inspiração, porque reconheço sua profundidade. Os artistas transformam fatos banais em vivências universais, extraindo das rotinas diárias sua sublimação e essência. Embriagada pela melodia e poesia urbana das cantoras do cotidiano, herdeiras diretas dos mestres do samba, me deleito com a experiência alheia e identifico nossas semelhanças e diferenças.
Biografias compiladas do Música de Bolso.
Andreia Dias: o repertório 100% autoral e desconcertante, cruza o samba carioca com a vanguarda paulistana. Seu trabalho esbanja liberdade poética, com um jeito particular de interpretar e compor: cru, despudorado, anti-clichê e performático.
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Bluebell: Isabel Garcia, “garota prodígio” do indie paulistano, que compõe arranjos criativos, repletos de pequenos e diversos sons e letras bem confeccionadas. No próximo trabalho, pretende lancar uma producão mais íntima, familiar e despretensiosa.
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Érika Machado: quieta e irrequieta, gentil e muito talentosa. Sua personalidade delicada, cativante e mineiramente tímida, emoldura canções que soam como irresistíveis crônicas da vida mais corriqueira e indispensável.
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Natalia Mallo: nasceu em Buenos Aires e mudou-se para Vila Maladena em 95. Multiinstrumentalista, aprendeu música aos oito anos. Tem dois discos lançados e trabalha no terceiro; canta tango no grupo GatoNegro; e no Trash Pour 4 toca baixo, canta e compõe.
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